E aí, galera! Tudo bem?
Imagine esta cena: o Brasil acaba de conquistar a Copa do Mundo de 2002. Milhões de brasileiros comemoram, os jogadores pulam de alegria e Cafu, o capitão da Seleção Brasileira, se aproxima para erguer o troféu.
Mas antes de erguer a Copa do Mundo, ele gritou algo que ficou inesquecível no Brasil:
Regina, eu te amo!
Regina, I love you!
Lindo, né?
Regina é a esposa de Cafu, e essa frase emocionante fez milhões de brasileiros sorrirem. Mas a história de Cafu vai muito além dessa frase famosa. Ele foi rejeitado várias vezes, continuou se esforçando, tornou-se um dos maiores laterais-direitos da história do futebol e foi o capitão da seleção brasileira durante um dos momentos mais felizes do futebol em nosso país.
A propósito, se a história do Cafu te deixou com vontade de entender o que os brasileiros gritam durante uma partida, dá uma olhada na nossa Dica sobre futebol em português.
Informações Rápidas sobre Cafu
| Fato | Detalhe |
|---|---|
| Nome completo | Marcos Evangelista de Morais |
| Conhecido como | Cafu |
| Data de nascimento | 7 de junho de 1970 |
| Local de nascimento | São Paulo, Brasil |
| Posição | Laterial-direito |
| Principais clubes | São Paulo, Roma, AC Milan |
| Participações no Brasil | 142 |
| Copas do Mundo Jogadas | 1994, 1998, 2002, 2006 |
| Copas do Mundo Vencidas | 1994 e 2002 |
| Momento mais icônico | Levantando a taça da Copa do Mundo de 2002 como capitão da seleção brasileira |
A carreira de Cafu nos clubes
Da Rejeição a São Paulo
Marcos Evangelista de Morais nasceu em 7 de junho de 1970 em Itaquaquecetuba, cidade do estado de São Paulo, e cresceu ligado ao bairro do Jardim Irene, na zona sul de São Paulo. O jogador de futebol ficou conhecido mundialmente como Cafu. Ele ganhou fama como lateral-direito, mas sua experiência na ala direita ajudou a moldar o estilo de jogo ofensivo que mais tarde o tornou famoso no Brasil e na Europa.
Antes de se tornar capitão da seleção na Copa do Mundo, Cafu teria sido rejeitado por nove clubes durante testes. Ele não era tratado como um futuro astro em potencial. Sua carreira teve que ser construída com muita persistência.

Cafu iniciou sua carreira profissional no São Paulo FC, onde passou a integrar uma das equipes mais fortes da América do Sul. Com o São Paulo, conquistou o Campeonato Brasileiro em 1991, a Copa Libertadores em 1992 e 1993, e a Copa Intercontinental em 1992 e 1993. Em 1994, após seu sucesso com o São Paulo e a Seleção Brasileira, Cafu foi eleito o Jogador do Ano da América do Sul.
Depois de deixar São Paulo, Cafu passou por uma breve passagem pelo Real Zaragoza, na Espanha, onde conquistou a Recopa da UEFA na temporada 1994–95. Em seguida, voltou ao Brasil para jogar pelo Palmeiras, conquistando o Campeonato Paulista em 1996, antes de se transferir para a Roma em 1997.
Roma: Onde Cafu se tornou Il Pendolino
Após anos de sucesso no Brasil, Cafu mudou-se para a Europa e ingressou na Roma em 1997, onde jogou por seis temporadas.
Na Roma, o estilo ofensivo de Cafu tornou-se famoso na Itália. Ele não jogava como um lateral tradicional, que ficava recuado na defesa. Ele se movimentava constantemente pela lateral direita, defendendo quando a Roma estava sob pressão e participando dos ataques com velocidade e resistência.
Na Itália, ganhou o apelido de Il Pendolino, inspirado no trem expresso italiano.
E, sinceramente, que apelido perfeito. Cafu realmente jogava como um trem pela lateral direita: sempre em movimento, sempre atacando, sempre voltando para defender.
Em 2001, Cafu ajudou a Roma a conquistar a Série A, uma das maiores conquistas da história recente do clube. Aquela equipe da Roma contava também com estrelas como Francesco Totti, Gabriel Batistuta e Vincenzo Montella. Cafu deu amplitude e energia ao time pelo lado direito, ajudando a equilibrar uma equipe repleta de talentos ofensivos. Para os torcedores da Roma, ele passou a fazer parte de uma equipe campeã que eles nunca esqueceriam.
Veja aqui alguns dos melhores momentos de Cafu:
Milão: O veterano que ainda ganhou tudo
Em 2003, Cafu deixou a Roma e foi para o AC Milan. Naquela época, ele já estava na casa dos trinta. Para muitos jogadores de futebol, é nessa fase que a velocidade e a energia começam a diminuir. Cafu, no entanto, continuou jogando no mais alto nível.
Cafu tornou-se uma peça importante do elenco do Milan, disputando 166 partidas pelo clube e marcando 4 gols. A maioria dessas partidas foi na Série A, onde ele disputou 119 jogos pelo Milan.
Com o AC Milan, ele conquistou a Série A na temporada 2003–04, a Supercopa da Itália, a Liga dos Campeões da UEFA na temporada 2006–07, a Supercopa da UEFA e o Mundial de Clubes da FIFA.
A Liga dos Campeões foi uma parte importante de sua trajetória no Milan. Cafu disputou a final de 2005, quando o Milan perdeu para o Liverpool após uma das viradas mais famosas da história do futebol. Dois anos depois, o Milan venceu o Liverpool por 2 a 1 em Atenas, e Cafu finalmente acrescentou a Liga dos Campeões à sua coleção de troféus.
A importância de Cafu para os dois clubes italianos foi posteriormente reconhecida quando ele foi homenageado nos Hall da Fama da Roma e do AC Milan.
Cafu e o Brasil: o recorde que o define
Cafu estreou pela seleção brasileira em 1990, em um amistoso contra a Espanha. Nos 16 anos seguintes, ele disputou quatro Copas do Mundo: 1994, 1998, 2002 e 2006. Ele venceu duas delas, em 1994 e 2002, e se tornou o jogador masculino com mais partidas pela seleção brasileira, com 142 jogos e 5 gols pela seleção nacional.
Ele também disputou 20 partidas da Copa do Mundo, mais do que qualquer outro jogador brasileiro, e detinha o recorde de maior número de vitórias em Copas do Mundo por um jogador, com 16 vitórias, antes de Miroslav Klose ultrapassá-lo em 2014. Seu recorde mais famoso é ainda mais difícil de ser repetido: Cafu é o único jogador a disputar três finais consecutivas da Copa do Mundo.
Em 1994, Cafu começou o torneio como reserva. Na final contra a Itália, Jorginho se lesionou no primeiro tempo, e Cafu entrou em campo aos 22 minutos. O Brasil venceu nos pênaltis, e Cafu se tornou campeão da Copa do Mundo. Em 1998, ele foi titular na final contra a França, mas o Brasil perdeu por 3 a 0. Em 2002, ele voltou à final novamente, desta vez como capitão. O Brasil venceu a Alemanha por 2 a 0, e Cafu foi o jogador que ergueu o troféu.
Seu sucesso com a seleção brasileira não se limitou à Copa do Mundo. Cafu também conquistou a Copa América duas vezes, em 1997 e 1999, e a Copa das Confederações da FIFA em 1997. Muitos jogadores brasileiros são lembrados por uma Copa do Mundo inesquecível. Cafu é diferente. Ele representa toda uma era do futebol brasileiro, desde os campeões de 1994 até os finalistas de 1998 e os campeões de 2002.
O Capitão que não Deveria ser Capitão
Um dos aspectos mais interessantes da história de Cafu na Copa do Mundo de 2002 é que, inicialmente, não se esperava que ele fosse o capitão da seleção brasileira. Antes do torneio, o capitão deveria ser Emerson. Mas Emerson lesionou o ombro durante um treino pouco antes do início da Copa do Mundo, e Cafu assumiu a braçadeira de capitão.
Essa lesão colocou Cafu no comando de uma equipe repleta de estrelas, incluindo Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho, Roberto Carlos e Kaká. Cafu disputou todas as partidas do torneio e, quando o Brasil venceu a Alemanha por 2 a 0 na final, foi ele quem subiu ao palco para receber o troféu.
Aquele momento transformou-o de um grande jogador brasileiro em uma das imagens marcantes do quinto título da Copa do Mundo do Brasil.
As palavras mais famosas de Cafu
A conquista do troféu em 2002 ficou ainda mais memorável por causa do que Cafu gritou antes de erguer a taça:
“Regina, eu te amo!”
“Regina, I love you!”
Regina é a esposa de Cafu, e a frase ficou inesquecível por ser tão pessoal. O Brasil comemorava seu quinto título da Copa do Mundo, milhões de pessoas assistiam ao redor do mundo, e Cafu aproveitou o momento mais importante de sua carreira para se dirigir diretamente à sua esposa.
Cafu também aproveitou aquele momento para relembrar suas origens. Sob a camisa da seleção brasileira, ele exibia a seguinte mensagem:
“100% Jardim Irene”
O Jardim Irene é o bairro de São Paulo ligado às raízes de Cafu. Por isso, a conquista do troféu não se resumiu apenas ao futebol. Foi também uma questão de família, de lar e da longa jornada desde o início até o topo do mundo.
Veja Cafu levantando a taça da Copa do Mundo pelo Brasil:
Os troféus e as maiores vitórias de Cafu
Cafu conquistou títulos importantes com clubes no Brasil e na Europa, bem como com a seleção brasileira.
| Time | Principais conquistas |
|---|---|
| São Paulo | Campeonato Brasileiro, Campeonato Paulista, Copa Libertadores, Recopa Sul-Americana, Copa Intercontinental |
| Real Zaragoza | Taça dos Vencedores das Taças da UEFA |
| Palmeiras | Campeonato Paulista |
| Brasil | Copa do Mundo da FIFA, Copa América, Copa das Confederações da FIFA |
| Roma | Serie A, Supercoppa Italiana |
| AC Milan | Série A, Supercopa da Itália, Liga dos Campeões da UEFA, Supercopa da UEFA, Copa do Mundo de Clubes da FIFA |
A lista de títulos de Cafu é incomum, pois abrange praticamente todas as principais categorias do futebol. Ele conquistou a Copa Libertadores e a Copa Intercontinental com o São Paulo, a Recopa da UEFA com o Zaragoza, a Série A com a Roma e o Milan, a Liga dos Campeões com o Milan e a Copa do Mundo com a Seleção Brasileira.
Cafu Hoje
Depois de se aposentar do futebol profissional em 2008, Cafu continuou ativo no mundo do futebol.
Ele atuou como embaixador do futebol, inclusive junto ao Comitê Supremo para a Realização e o Legado do Catar, antes da Copa do Mundo de 2022. Nessa função, esteve envolvido em projetos como o Instituto Josoor, que se dedica à educação e ao desenvolvimento nos setores do esporte e de eventos.
Cafu também continua a participar de eventos internacionais de futebol, jogos de lendas, entrevistas e campanhas relacionadas à Copa do Mundo. Por ter sido o capitão da seleção brasileira de 2002, ele ainda é convidado regularmente para representar aquela geração do futebol brasileiro.
No Brasil, Cafu também desenvolveu projetos relacionados ao esporte e à educação. Em 2025, notícias relataram o lançamento da Cafu Academy Brasil em Taboão da Serra, um projeto voltado para o futebol, a educação, a cidadania e oportunidades para crianças e adolescentes.
Essa ligação entre futebol, educação e trabalho comunitário também se reflete em um dos projetos mais importantes associados ao seu nome: a Fundação Cafu.
Fundação Cafu: Retribuir ao Jardim Irene
O Jardim Irene continuou a ser importante na vida de Cafu após a Copa do Mundo de 2002.
Depois de se tornar campeão mundial, ele criou a Fundação Cafu no Jardim Irene, o bairro de São Paulo onde cresceu. O projeto foi criado para apoiar crianças, adolescentes e famílias da comunidade por meio do esporte, da educação, da cultura e da formação profissional.
A fundação não se limitava apenas ao futebol. Relatos descreviam atividades como balé, capoeira, violão, basquete, vôlei, artesanato, acesso a computadores e cursos profissionalizantes. Cafu afirmou em uma entrevista que muitas pessoas achavam que o projeto se resumia a aulas de futebol, mas que sua verdadeira missão era a inclusão social.
No auge de suas atividades, a Fundação Cafu teria ajudado centenas de crianças e adolescentes do Jardim Irene e de áreas vizinhas. Algumas fontes indicam que o projeto apoiou até 950 crianças e adolescentes por meio do esporte, da educação, da cultura e da formação profissional.
Posteriormente, o projeto enfrentou problemas financeiros e anunciou o encerramento de suas atividades em 2019, após 16 anos de trabalho. Mesmo assim, a Fundação Cafu continua sendo uma parte importante da história de Cafu, pois demonstra o quanto sua imagem pública está ligada ao Jardim Irene.
O legado de Cafu
É fácil recordar a carreira de Cafu por meio de números impressionantes: 142 partidas pela seleção brasileira, quatro Copas do Mundo disputadas, três finais de Copa do Mundo, dois títulos mundiais, um título da Liga dos Campeões e troféus importantes no Brasil e na Itália.
Mas a história dele é mais marcante do que uma lista de conquistas.
Da rejeição a São Paulo, do Jardim Irene ao troféu da Copa do Mundo, Cafu levou suas raízes até o topo do futebol mundial.
E, por meio da Fundação Cafu, sua ligação com o Jardim Irene continuou, retribuindo à comunidade por meio do esporte, da educação, da cultura e da capacitação profissional.
É por isso que Cafu continua sendo um dos jogadores mais respeitados da história do futebol brasileiro: não apenas porque conquistou títulos, mas porque nunca esqueceu de onde veio.
Abraços do Rio de Janeiro!
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